Origami V...
Este ano no dia de Natal a única coisa útil que fiz foi fazer uma pasta de atum de manhã (pelas 10h30) e depois disso pôr a mesa. Depois foi comer e fazer origami, voltar a comer e voltar a fazer origami. E só não fiz mais coisas porque a famelga de vez em quando (de 10 em 10 minutos) soltava um «Mas o que é que tu 'tás a fazer?» e depois «Ah... "Tan" giro... "Na" serve "pa" nada mas a coisa é engraçada...» e depois como se eu não estivesse ali mesmo ao lado saiam-se também com uns «Ela agora 'tá a fazer o quê? Já é diferente...» e eu a tentar dobrar o papel... Parecendo que não, apenas o facto de comentar de vez em quando o que se dizia, e de explicar muito por alto o que estava a fazer fez com que perdesse algum tempo. Nem cheguei a dizer que era origami, porque se eu dissesse o nome a minha mãe ia olhar para mim e dizer, ou pensar, que era o tal japonês que me tinha ensinado... Perguntam vocês «Qual japonês?» e respondo eu: o que nunca conheci mas pelos vistos foi o grande amor da minha vida! eheheehe
E explico: a minha mãe quando não tem explicação para algo, inventa. E meus amigos, inventa à grande e à francesa! O caso do japonês, por exemplo e mais, muito mais! A minha mãe com a sua imaginação delirante se tivesse ido para escritora teria feito a delícia de muito boa gente. Pelo menos de quem gosta de tragédias e coisas mórbidas... lol Eu ainda não perdi a esperança: o meu pai quer comprar um monitor para o meu computador velho para eu lhe ensinar a usar a máquina, um dia chego a casa e tenho lá um romance de final trágico onde a heroína foi assaltada e sofreu muito ao lhe tirarem os orgãos (é claro que antes cada vez que passava por um beco ou se saia a partir das 11h da noite, 11h? chiii, que rebeldia, corrijo: a partir das 9h da noite lhe saltava um tarado qualquer em cima... Deixo à vossa imaginação o resto...) e por isso mesmo a pobre coitada da heroína lá ficou sem amor e acabou por morrer sózinha e abandonada com muitas infecções (das operações para retirar os orgãos, claro!). Ainda por cima o Word tem corrector ortográfico. Ainda vou ter uma mãe famosa!
E depois das divagações na maionese eis as minhas humildes dobragens:
O grande foi feito a partir de A4 e o pequeno de A5. Medem 19 e 14cm de diâmetro respectivamente. O pequeno ficou na terrinha para fazer companhia aos meus pais... Para matar saudades de mim quando não estou.
Este também foi feito a partir de A5 mas não ficou muito bem... Fica também com cerca de 14cm (a contar com as rosas). Como este e o anterior vieram do mesmo livro e tenho mais coisas feitas ainda terão direito a um post só deles. A repetir! Este e um cuboctaedro que tenha espirais e rosas! A senhora Tomoko Fuse não explicou como se montavam então vai ser por tentativa e erro... sobretudo erro! Quando for de novo a casa levo a máquina fotográfica e tiro uma foto decente deste e do cuboctaedro de cima.
Estas vêm do esquema que estava numa das prendas de anos do Nelson. Ainda bem que gostaste do papel! Como aparte, a escolha foi difícil, cada vez que via um papel dizia «gosto, mas será que ele vai gostar? É tão esquisito, não deve gostar deste» vi mais de 100 tipos de papel, mas pelos vistos lá me decidi bem :) O segredo em fazer bem estas flores está em "dobrar" ou "ajeitar" o papel ao puxar a pétala para não rasgar... A primeira que fiz só consegui puxar duas pétalas em condições, as restantes 6 ficaram rasgadas, mas aprendi. Aqui fica o esquema traduzido pela minha pessoa.
O esquema é de um livro de MOMOTANI Yoshihide (桃谷好英) e vem referido como uma dobragem tradicional. Mais uma vez é necessário muito cuidado ao abrir as pétalas. Acho que fica bastante bonito se não se abrirem as pétalas completamente (lótus amarelo). As folhas de lótus também vêm deste livro.
Foi com eles que comecei a fazer origami... E apesar destes estarem muito mais bem dobrados que os meus primeiros (onde andarão eles? Sei que não os deitei fora...) continuam a não estar muito bem dobrados a meu ver. Mas ficam giros assim de vários tamanhos. E o papel origami, agora que sei onde o comprar a um preço decente (sim, vem aí mais um post... Só sobre essa loja!) até dá gosto dobrar coisas! Mais ainda...
Eu bem tentei não fazer origami modular, mas não consegui... É que isto, depois de se começar, as possibilidades são tantas que os outros tipos de origami perdem um pouco a piada...
Aqui ficam mais umas coisinhas de origami modular, para um próximo post. Para aguçar o apetite...
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